Dois impostos novos vão substituir cinco. A transição já está em curso e vai até 2033 — e as decisões de regime tomadas agora definem quanto a sua clínica paga no caminho. Aqui está o essencial, sem economês.
PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS serão substituídos pela CBS (federal) e pelo IBS (estados e municípios). A mudança não acontece de uma vez — é uma transição em fases:
Consultas, cirurgias, exames e diagnóstico têm alíquota de CBS/IBS reduzida em 60% em relação à padrão. O enquadramento correto da atividade é o que garante o desconto.
Quem hoje recolhe ISS em valor fixo por profissional migra, ao longo da transição até 2033, para um imposto percentual sobre o faturamento. Mesmo com as reduções previstas em lei, a conta muda — e para muitos, sobe. Descobrir isso antes é o que permite se reestruturar a tempo.
No sistema novo, hospitais, operadoras e clínicas que te contratam passam a aproveitar crédito do imposto que você destaca. O seu regime vira assunto do SEU cliente — e diferencial comercial.
A reforma prevê um mecanismo novo de cobrança: na liquidação do pagamento, a parte do imposto é separada automaticamente e vai direto para o governo — você recebe o líquido.
Hoje você recebe o valor cheio e recolhe o imposto depois. Com o split, o IBS/CBS é retido na hora — o dinheiro que entra na conta já vem sem o imposto. Quem planeja o caixa contando com esse intervalo precisa se reorganizar.
Pagamentos entre empresas são a porta de entrada natural do mecanismo. Se o seu faturamento vem de operadoras, hospitais ou outras clínicas — e não direto do paciente — o split entra na sua rotina antes de quase todo mundo.
Em 2026 (ano-teste) o split ainda não vale. A implantação está prevista para começar gradualmente a partir de 2027, junto com a CBS. É tempo de sobra para ajustar a estrutura — desde que o ajuste comece antes do mecanismo.
Quem está no Simples Nacional decide em setembro como vai recolher os impostos novos a partir de janeiro de 2027: por dentro do Simples ou "por fora", no regime regular — que é o que gera crédito cheio para hospital, operadora e clínica que contratam você. A escolha pode ser desfeita até 30 de novembro; depois, a próxima janela é só em março.
Está no Lucro Presumido? Essa janela não é sua — sua PJ já entra direto no regime regular. Mas o movimento dos seus contratantes é, e é agora que se desenha a estrutura com que você chega em 2027.
A reforma mexe nos impostos sobre o consumo. IRPJ e CSLL — onde vivem as maiores economias da PJ médica, como a equiparação hospitalar — seguem valendo e seguem otimizáveis.
Com dois sistemas convivendo até 2033, a diferença entre a estrutura certa e a errada aparece todo mês, na nota e no caixa.
As janelas de escolha são anuais. Quem decide em cima da hora entra no ano novo com o regime que sobrou, não com o que escolheu.
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